Processadores AMD

Recentemente, esse blog escreveu um post sobre a nomenclatura dos processadores Intel (a qual, por sua complexidade, gera certa confusão na escolha de um processador para notebook); dessa feita, o tema são os processadores da AMD.

A AMD (Advanced Micro Devices) foi fundada em 1969; por vários anos, atuou no mercado de produção de memórias, chips dedicados e microcontroladores. Em 1982, a AMD assinou contrato com a Intel para produção dos chips 8086, 8088 e posteriormente os 286 (esses chips foram utilizados pela IBM nos primeiros PC, e foram parte do início da revolução da computação; ver História dos notebooks). Com o fim do contrato, a AMD, como outras fabricantes de chips, resolveu clonar os chips da Intel 386 e 486; esses clones, produzidos sem autorização da Intel (eram resultantes de engenharia reversa), eram capazes de executar as mesmas instruções que os originais.

Em 1993, em vez de batizar o novo chip como 586 (que pode ser adotado também pelos clones), a Intel lançou o Pentium e registrou a marca comercial. A AMD lançou então o K5; a letra K é uma referência à Kriptonita, o único elemento que poderia enfraquecer o super-homem (referência à Intel).

Essa tabela mostra a evolução dos processadores da AMD a partir do K5. Enquanto a Intel lançava o Pentium II e Pentium III, a AMD lançava o K6 e o K7. Durante algum tempo, a AMD investiu pesado na contratação de cérebros e aquisição de outras empresas; a empresa lançou chips de alto desempenho (os Athlon) e outros de baixo custo (os Duron) que conquistaram predominância no mercado de desktops; por algum tempo, a AMD batizou seus chips de maneira a ressaltar a superioridade frente os chips da Intel (o Athlon de 1.33 GHz foi batizado de Athlon 1500+, para indicar que era tão potente quanto um Pentium de 1.50 GHz); a AMD realizou a proeza de lançar um chip de 64 bits antes da Intel. A Intel, entretanto, anteviu a importância do mercado de notebooks (em que otimização de consumo de energia é mais importante do que aumento na velocidade de processamento) e conseguiu recuperar sua supremacia; ver como a Intel superou a AMD.

Hoje, os principais chips da AMD são da linha K8 (que seria equivalente aos Pentium IV da Intel). Os principais processadores para notebooks da AMD são o Turion 64 (chip de baixo consumo, que competia com o Pentium M) e o Turion 64 X2 (dual core, compete com os Core Duo e Core 2 Duo). Da mesma forma que a Intel disponibiliza os Celeron, a AMD disponibiliza os Sempron, que são chips de menor rendimento destinados a máquinas de preço baixo.

Embora quase todos os fabricantes ofereça algumas máquinas com processadores AMD, a preferência dos usuários tem determinado que a maioria dos modelos de notebooks tenham chips Intel. Essa preferência é fruto que a Intel ainda colhe por ter se antecipado à AMD na corrida pelo segmento de notebooks. Diversos testes comparativos têm mostrado que, em notebooks, os chips da Intel superam os da AMD (ver exemplos aqui e aqui).

Entretanto, não se pode dizer que a AMD esteja morta. A empresa já lançou chips da geração K10 (não houve a geração K9; de acordo com rumores não oficialmente confirmados, isso ocorreu porque a pronúncia de K9 em inglês assemelha-se a “canino” ou “canina”, o que poderia depreciar a imagem da AMD), como os Opteron e o Phenom de 4 núcleos (a AMD refere-se ao Phenom como o único chip genuinamente quad-core, já que ele contém quatro cores numa mesma pastilha de silício; os quad-core da Intel são formados de duas pastilhas com dois core cada - ver página com áudio sobre os Quad Core AMD).

Mas, apesar de estar trabalhando firme em cima dos K10, o grande trunfo da AMD pode vir de outro lado: os chips Fusion. Em 2006, a AMD comprou a ATI, uma das duas maiores fabricantes de chips gráficos do mundo. Desde então, pesquisadores da empresa têm trabalhado no projeto de um chip que incorporasse numa mesma pastilha tanto a CPU (os atuais microprocessadores) como a GPU (o processador gráfico). Tal processador seria o Fusion (a fusão de CPU e GPU) e traria ganhos potenciais enormes, tanto em desempenho como em consumo de energia; o Fusion, após atrasos, está agora previsto para 2009; notícias sobre o Fusion têm vazado, e, se confirmadas, podem tornar a AMD novamente competitiva.

Compare preços de Notebooks

Portabilidade de notebooks

É natural que, ao comprar o primeiro notebook, as pessoas avaliem a portabilidade da máquina comparando-a com um desktop. Nessa comparação, é evidente que o notebook (por maior que seja) tem portabilidade maior do que o desktop (por menor que seja); um notebook funciona com baterias (não fica preso a tomadas), já vem com o próprio monitor (que é um volume à parte do desktop), é mais leve, etc.

Mas será que todos os notebooks são DE FATO portáteis?

A foto abaixo mostra um Dell Latitude 1520, com monitor de 15.4″. A revista Veja foi colocada para facilitar a visualização de tamanhos relativos.

Como se vê, a máquina é pouco maior do que uma revista, e pesa aproximadamente 2 kg. Parece, portanto, facilmente transportável, e um bom candidato a substituir um desktop.

Entretanto, um notebook raramente viaja sozinho; no mínimo, dois acessórios costumam acompanhá-lo: a maleta de transporte a o carregador da bateria (dependendo do usuário, podem ser necessários ainda outros acessórios, como bateria extra, manuais diversos, etc). A foto abaixo mostra o notebook dentro da maleta, com o carregador no compartimento lateral.

Agora, esse conjunto já pesa mais de 3 kg, é razoavelmente maior que a revista, e deve ser carregado pela alça; já se torna desconfortável carregá-lo por longo tempo ou longas distâncias. Ademais, ele ocupa uma maleta própria; caso o usuário tenha que carregar uma outra mala com roupas ou outros materiais, essa maleta do notebook será uma carga extra tanto para carregar como para ser vigiada.

É possível colocar o notebook em uma mochila (existem diversos modelos de notebooks próprios para mochila). Na foto abaixo, a máquina está colocada sobre uma mochila comum, como as utilizadas para levar umas poucas mudas de roupa.

O notebook cabe na mochila sem grandes problemas. Entretanto, ocupa bastante espaço (diminuindo o volume útil da mochila), é muito pesado para ser carregado nas costas, e requer atenção constante para evitar choques.

CONCLUSÕES:

O notebook de 15.4″ é facilmente transportável, se o usuário precisar locomover-se apenas ocasionalmente ou em pequenas distâncias; é o caso de usuários que utilizam a máquina apenas dentro de casa, ou a levam ocasionalmente para um café ou shopping. Ademais, o display maior é bastante útil para aqueles que precisam de mais espaço na área de trabalho.

Entretanto, para usuários que estão em constante locomoção, provavelmente valeria a pena investir em um modelo mais portátil. Um vendedor que visite muitos clientes, um advogado que vá a diferentes tribunais, alguém que viaje de avião freqüentemente, todos esses provavelmente logo perceberão que um notebook de 15 polegas torna-se demasiado pesado.

Cada polegada a menos representa aproximadamente 2.5 centímetros a menos (medidos na diagonal do notebook), além de representar também algumas centenas de gramas a menos; esses centímetros e gramas a menos, no longo prazo, aumentam muito a sensação de conforto do usuário.

Por outro lado, como a diminuição de tamanho exige componentes mais complexos e caros, em geral modelos de 14 e 13 polegadas custam mais caro do que os de 15 polegadas; os fabricantes, entretanto, certamente sabem que os clientes dessas máquinas são, ao mesmo tempo, os mais exigentes e os mais dispostos a pagar um preço extra pelo conforto.

Isso explica por que diversos fabricantes têm como modelo mais caro um notebook de 13.3 polegadas (é o caso da linha Sony Vaio SZ, dos MacBook Pro, do Dell XPS 1330, do Lenovo Thinkpad X300 e outros). E explica também por que os netbooks, que são máquinas ultra-portáteis de baixos preços, estão fazendo tanto sucesso.

Preço de netbooks em queda

Netbooks são os notebooks ultra-portáteis que seguem o modelo do Asus Eee PC (outros exemplos de netbooks são o HP 2133, Acer Aspire One, Lenovo Ideapad S10, Dell E Mini; todos foram lançados apenas alguns meses após o pioneiro Eee).

O termo netbook foi cunhado pela Intel ao lançar seu novo processador Atom; no projeto do Atom, que é voltado especificamente para netbooks, a Intel preocupou-se muito mais com o baixo consumo de energia (o que possibilita maior duração da bateria) do que com o desempenho e velocidade de processamento (o pressuposto é que os usuários de netbooks utilizariam as máquinas para atividades simples, como navegar na internet e escrever textos, prescindindo assim de maior capacidade de processamento).

Uma reportagem recente do New York Times confirma o que se prenunciava nesse post de três meses atrás: os preços dos netbooks cairão rapidamente, por causa principalmente da forte concorrência entre os fabricantes (sexta-feira passada, a Acer anunciou que o preço do Aspire One seria reduzido de US$ 399 para US$ 349).

A queda de preços de notebooks foi o tópico mais discutido na Intel Developers Conference, evento que reúne empresas que utilizam chips da Intel em seus produtos. Segundo o Times, “dúzias e dúzias de netbooks estavam em exibição”; “pela primeira vez, os fabricantes puderam ver quantos concorrentes eles tinham”. Um dos participantes admitiu que “foi uma ocasião para refletir que todos terão que ser mais agressivos na redução de preços”; admitiu ainda que os preços devem cair brevemente para a faixa dos US$ 299, e talvez cheguem aos US$ 249 na época do Natal.

Conclusões: agora não é um bom momento para comprar um netbook; o mercado está maturando rapidamente, as máquinas ficam cada vez melhores, mais bonitas e mais baratas (o pioneiro Eee PC 701já caiu no esquecimento); vale a pena aguardar mais um pouco para comprar uma dessas máquinas.

Asus: notebooks perfumados

A Asus ganhou destaque recentemente graças ao lançamento do pioneiro netbook Eee PC; entretanto, a empresa nunca escondeu que seu objetivo é entrar para o seleto grupo de fabricantes de notebooks de alto desempenho.

Há alguns dias, a Asus anunciou o lançamento de cinco novas linhas de máquinas bastante modernas, para diferentes segmentos:

Linha B50A, para o mercado corporativo. Tela de 15.4″, processador Intel Core 2 Duo Penryn, teclado à prova d’água, recurso Expressgate para acelerar a inicialização da máquina, HD de 320 GB.

Linha F8, para multimídia. Tela de 14.1″, processador Penryn, placa de vídeo ATI Radeon HD 3470 com 256 MB, sintonizador de TV, Expressgate, HD de 320 GB.

Linhas G71 e G50, para games. Telas de 17″ (G71) e 15″ (G50), processador Intel Core 2 Quad, placa de vídeo NVidia GeForce 9700M com 512 M, 2 HDs de 500 GB, teclado com teclas especiais para jogos.

A linha F6 traz uma novidade: notebooks perfumados. As máquinas têm tela de 13.3″, processador Intel Penryn, placa de vídeo ATI Radeon HD 3470 com 256M, sintonizador de TV, leitora de digitais.
Os aromas disponíveis são: flores se abrindo (floral blossom - foto à direita), preto selvagem (musky black), orvalho da manhã (morning dew) e água oceânica (acqua ocean).

Qualquer das máquinas pode ser considerada candidata a topo de linha do respectivo segmento. Entretanto, a perfumada linha F6 tem a vantagem adicional de estar criando um novo nicho; vale lembrar que faz apenas pouco mais de um ano que a Dell apresentou a inovação de notebooks coloridos, a qual lhe trouxe rápido e grande sucesso. Resta ver como os consumidores reagirão a essa nova opção: notebooks perfumados.

Primeiro gPhone: Dream

Semana passada, o New York Times havia informado que a T-Mobile seria a primeira a operar um gPhone,  ou seja, um celular-smartphone baseado na plataforma aberta Android, desenvolvida pela Google. O aparelho seria produzido pela HTC, uma das líderes mundiais do setor, e incorporaria muitos dos avanços tecnológicos do iPhone; ver vídeo do gPhone no Youtube.

Ontem, o jornal informou que o aparelho foi homologado pela FCC (órgão regulador americano, similar à Anatel brasileira), e recebeu o nome de Dream (que significa Sonho em inglês). A T-Mobile, que é a quarta maior operadora de celulares dos Estados Unidos, espera colocar o produto à venda no mercado antes do Natal.

O gPhone é um passo da Google para penetrar no mercado de celulares; “executivos da Google têm afirmado que que o acesso Web em dispositivos móveis é crucial tanto para os planos de crescimento da empresa, como para expandir os mercados de sua audiência para atingir alcance global”.

O gPhone e o Android buscam crescer com suporte em software livre. Um dos motivos do sucesso do iPhone é que a Apple possibilita que seus usuários baixem e instalem diversos aplicativos nos aparelhos; o problema é que a Apple detém o monopólio sobre quais aplicativos podem ser oficialmente instalados - o que gerou uma indústria de hacks para iPhones. Como o Android tem código aberto, não haverá necessidades de hacks: muitos programadores poderão criar aplicativos que aumentem a versatilidade do gPhone.

O crescimento do mercado de notebooks no Brasil

Nenhum setor da economia brasileira, seja industrial, comercial ou de serviços, está crescendo tanto quanto o mercado de notebooks.

Em 2007, o PIB do país cresceu 5,4% (o agronegócio comemorou um crescimento recorde de 7,89%); em 2008, se as previsões otimistas se confirmarem, o PIB do Brasil deve crescer ao redor de 5% (em junho, a indústria de automóveis comemorou o crescimento de 6,6% em relação ao ano passado).

Enquanto a Economia celebra esses crescimentos de um dígito, a Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica) informa que, nesse primeiro semestre de 2008, as vendas de notebooks tiveram um crescimento de 186% em relação ao mesmo período do ano passado; mesmo na China, país dos grandes  números de crescimento econômico, a venda de notebooks cresceu 47,5% entre o segundo trimestre de 2007 e o de 2008. No Brasil, foram vendidos 1,762 milhão de notebooks de janeiro a junho, e a previsão é de que o número chegue a 5,450 milhões até o final do ano (as vendas são maiores no segundo semestre, principalmente por conta do Natal).

E isso não é novidade. Em agosto de 2007, o Notebooks Blog já informava no final desse post que as vendas da Positivo no segundo trimestre de 2007 haviam sido 738% superiores às do ano anterior. No balanço do terceiro trimestre de 2007, a mesma Abinee informou que o crescimento das vendas de notebook em relação ao ano anterior havia sido de 216%; e no balanço geral de final de ano, a Abinee informou que as vendas totais de notebooks cresceram 153% em relação a 2006.

E o crescimento tampouco é passageiro. Segundo a própria Abinee, os notebooks, que hoje representam aproximadamente 30% do mercado de computadores (que incluem também desktops e servidores), devem atingir 50% já em 2009 (algo que já acontece nos Estados Unidos desde 2007) e em 2010 devem representar 75% do mercado.

Resta esperar que o aumento do mercado permita ganhos de escala e redunde em diminuições de preços. Vale ressaltar uma declaração do vice-Presidente da Abinee: “devido ao valor agregado do produto, praticamente toda a produção é vendida, já que a estocagem acaba ficando cara”; isso significa que é melhor para o comércio vender a máquina com pouco ou nenhum lucro do que acabar com um produto obsoleto encalhado no estoque. Isso é decorrência também do rápido crescimento do mercado, e é ainda outro indicador de que os preços devem continuar caindo.

Dell com 3G

Fonte: O Globo. Com comentários desse blog, em itálico.

O presidente da Dell no Brasil, Raymundo Peixoto, afirmou que a empresa está negociando com operadoras de telefonia locais a possibilidade de embarcar placas de acesso móvel de dados de terceira geração (3G). Esses componentes permitiriam o acesso à internet por notebooks sem a necessidade de uso de um modem externo. (Por outro lado, dependendo de como seja instalado, o chip pode criar um vínculo demasiado forte entre o dono do notebook e a operadora; por exemplo, a Dell poderia instalar o chip em compartimento interno, cuja abertura acarretasse nulidade da garantia. Se houver algum vínculo contratual entre o dono do notebook e a operadora 3G, o natural seria que houvesse algum tipo de subsídio, como ocorre com telefones celulares. Vale lembrar ainda que, tal qual nos celulares, seria possível, se a Dell assim quisesse, instalar chips 3G desbloqueados, deixando para o dono a opção pela melhor operadora 3G).

Estamos discutindo no Brasil a possibilidade de embarcar um chip 3G aos nossos notebooks, afirmou o gerente de marketing de produto da companhia, Sidnei Shibata. Segundo Peixoto, nos EUA e em alguns países da Ásia, esses componentes já são embarcados nos computadores portáteis da empresa. (Desde julho de 2007 a Fujitsu disponibiliza máquinas com 3G embutido; no Brasil, tanto a HP como a Microboard já anunciaram iniciativas semelhantes).

A empresa, porém, não quis divulgar com que operadoras estaria negociando o serviço, nem o prazo estimado para que comece a oferecê-lo a clientes. Mas estamos tentando trazer o serviço para o país o mais rápido o possível, afirmou Shibata.

Hoje a Dell lançou sua nova linha de notebooks corporativos, denominados Latitude E. No total, são sete novos aparelhos, entre ultraportáteis e aparelhos com alto grau de durabilidade.

Sobre a produção de uma versão de subnotebook no Brasil, Peixoto foi categórico ao afirmar que a empresa ainda não tem nenhum plano para o país. “Estamos avaliando, mas até agora não há nenhuma decisão sobre esse tipo de produto”, afirmou. (O subnotebook em questão seria o Dell E Mini; se fabricado no Brasil, o Dell E certamente terá um preço mais acessível do que se for importado).

Subnotebooks são uma categoria nova de notebooks cujas características principais são o pequeno tamanho de tela, baixo custo e configuração mais simples, indicada principalmente para acesso a internet e funções básicas. (O pioneiro desse segmento de subnotebooks foi o Asus Eee, lançado no final de 2007, que foi seguido por diversos modelos como o HP 2133, o Acer Aspire One e o Lenovo Ideapad S10).

Guerra eletrônica: Rússia versus Geórgia

Atualização, 14 de agosto: uma reportagem do Wall Street Journal tratou do assunto, e explicou convincentemente que o termo Guerra não se aplica ao caso; a expressão mais adequada é “cyber attacks”, ou “ataques cibernéticos”. Se esse tipo de ataque fosse interpretado como guerra, explica o WSJ, os Estados Unidos teriam declarado guerra à China há muitos anos.

A Geórgia é um pequeno país (pouco maior que a Paraíba, pouco menor que Santa Catarina) situado no sudoeste da Ásia. Foi uma das Repúblicas da União Soviética até 1991; o país é pobre, mas ocupa posição estratégica, pois é atravessado por grandes dutos de gás e petróleo. Uma região chamada Ossétia tem aspirações a desmembrar-se da Geórgia e ou tornar-se independente ou unir-se à Rússia. Por conta desta questão separatista, em 8 de agosto, tanques e aviões russos invadiram a Geórgia, e foi deflagrada uma guerra.

Ao lado dessa guerra de soldados e armas, trava-se também uma guerra eletrônica. Segundo fontes como ZDNet e Computerworld, ataques sistemáticos têm causado colapso em servidores estratégicos da Geórgia, impedindo que o país dissemine suas versões sobre a guerra tanto para seus cidadãos como para o restante do mundo. Ainda de acordo com as fontes, os ataques estariam partindo de diversas frentes: grupos de hackers nacionalistas russos, cidadãos comuns (que estariam sendo municiados com ferramentas básicas de ataques) e agências de inteligência, tanto russas como outras de origem indeterminada (os Estados Unidos - e a CIA -, apesar de defenderem o fim das hostilidades, não manifestaram oficialmente sua posição política).

A principal arma dos atacantes é uma técnica chamada DDoS (Distributed Denial of Service, ou Negação de Serviço Distribuída); a técnica faz com que milhares de máquinas acessem simultaneamente o servidor do site atacado, fazendo com que ele seja incapaz de entregar páginas (daí a negação do serviço). Entre os sites atacados, incluem-se o site da Presidência, o do Ministério da Defesa, o do Parlamento, e os principais sites de notícias da Geórgia.

O colapso da internet causa um quase colapso na rede de comunicações. Georgianos podem ainda assistir a rádio e TV, mas os profissionais dessas mídias dependem muito da internet para obter e repassar informações. Estrangeiros ficam com acesso muito limitado às versões dos Georgianos, o que numa guerra é uma enorme desvantagem.

Há alguns anos, quando se discutia a privatização da Telebrás e da Embratel, uma das alegações dos anti-privatizantes era que seria temerário entregarmos nossa estrutura de comunicações e de rede nas mãos de estrangeiros (que poderiam se virar contra nós em caso de guerra).

O episódio da Geórgia mostra duas coisas:
I) as guerras eletrônicas já são realidade, e, em vista de sua infraestrutura, é melhor o Brasil não se meter em nenhuma delas;
II) o que de fato interessa para o país é a robustez da rede, e não a nacionalidade do seu controlador; uma evidência disso é que o governo Georgiano, para manter-se conectado, hospedou alguns dos seus sites nos servidores da Google.

VIA versus Intel e AMD

Até alguns anos atrás, o mercado de chips para computadores era dominado pela Intel e pela AMD. Desde há alguns semestres, entretanto, a empresa taiwanesa VIA tem começado a aumentar sua presença nesse mercado. A VIA costumava restringir-se ao mercado placas-mãe e microprocessadores de baixo desempenho como o C3 e C7, utilizados em computadores de baixíssimo custo (por exemplo, as máquinas eletrônicas de bingo, que executam repetidamente o mesmo software, utilizam chips VIA).

Nos últimos meses, a VIA realizou investimentos para dar um salto de qualidade em seus produtos. O produto mais visível desses novos tempos é o chip VIA Nano, que foi escolhido pela HP para equipar seu primeiro netbook, o HP 2133. Testes vêm demonstrando que o VIA Nano é superior em desempenho ao Intel Atom, embora o Atom tenha consumo mais baixo (na entrevista abaixo, a VIA afirma que o índice desempenho/consumo do Nano é melhor do que o do Atom; ou seja, o Nano de fato consome mais, mas o ganho em desempenho é proporcionalmente superior à perda em autonomia).

Se há alguém que pode disputar a supremacia de Intel e AMD, esse alguém é a VIA. Bastou apenas uma boa idéia, o Eee PC, para tirar a Asus do rol de personagem secundário no mercado de notebooks e alavancá-la para brigar com os grandes fabricantes do setor; não seria surpresa se algo semelhante ocorresse no mercado de processadores.

O site britânico CustomPC publicou uma entrevista com um alto executivo da VIA (fiquei sabendo da entrevista por meio do meiobit, mas acho que o assunto merecia mais atenção). A entrevista é longa e um tanto técnica, mas deixa claro uma coisa: a VIA tem respostas satisfatórias quando questionada sobre seu papel no mercado futuro de processadores. Abaixo, tradução dos trechos mais interessantes.

P: A Via afirma que a arquitetura Isaías (utilizada pelo Nano) é o mais rápido do mundo nos cálculos com ponto flutuante. Trata-se de um grande avanço em relação aos chips anteriores. O que fez a VIA dedicar-se a aprimorar essa tecnologia? (Nota: operações com ponto flutuante são muito utilizados por softwares que executam muitos cálculos, como aplicativos gráficos e jogos em 3D).

R: De fato, o VIA Nano é capaz de executar quatro somas e quatro multiplicações em ponto flutuante em cada ciclo de clock, o que o torna o mais rápido entre todos os processadores x86. Entretanto, não é verdade que apenas agora estejamos priorizando o ponto flutuante. O fato é que, com o C7, era difícil aumentar o desempenho em ponto flutuante e ao mesmo tempo manter o consumo de energia em níveis baixos. Com a nova arquitetura do VIA Nano, conseguimos combinar alto desempenho em ponto flutuante com baixo consumo de potência.

P: A VIA planeja lançar chips Isaías com múltiplos núcleos?

R: O VIA Nano foi projetado desde o início para ser dual-core, mas nós optamos por utilizar um apenas um core nessa primeira fase. Esperamos lançar VIA Nano dual-core em 2009.

P: A arquitetura Isaías será utilizada apenas no Nano ou já se planejam outros processadores baseados nessa estrutura?

R: Nós esperamos que a arquitetura Isaías se mantenha atual por vários anos, e já começamos a otimizá-la para diversas aplicações. O processador VIA Nano é apenas a primeira geração da Isaías; nós temos uma porção de produtos excitantes em produção.

P: Atualmente, a VIA está focada em médios e pequenos PCs com baixo consumo, mas por outro lado vocês já demonstraram que o Nano é capaz de rodar Crysis (nota: Crysis é atualmente o jogo que mais exige recursos de hardware). Vocês estão considerando entrar no mercado de gamers e PCs de alto desempenho?

R: Embora o VIA Nano possa apresentar excelente desempenho em games, nosso foco continuará a ser em notebooks, mini-notebooks e dispositivos móveis. Vamos também nos focar no mercado de máquinas verdes (produtos ecológicos) e dispositivos de comunicação de PCs, pois é nesses mercados que somos mais fortes e onde vemos mais chances de crescimento.

P: Qual é a importância do índice de desempenho por Watt no atual mercado de processadores?

R: Desde que a corrida de velocidade de clock entre a Intel e a AMD teve um fim, o índice de desempenho por Watt tem ganhado cada vez mais importância. O índice é importante não apenas por indicar diminuição no consumo de eletricidade (com conseqüências financeiras e ambientais), mas também em vista do crescimento do mercado de notebooks e dispostivos portáteis, que necessitam de componentes eficientes para permitir maior autonomia de baterias. Desde o lançamento do VIA C3 em 2001, a VIA tem sido o líder no setor de processadores x86 com alto índice de desempenho por Watt. Agora, com o VIA Nano, estamos mantendo a mesma tecnologia de redução de consumo que desenvolvemos anteriormente, e estamos melhorando o desempenho do processador - o resultado é que o VIA Nano é, com folga, o líder de mercado no quesito desempenho por Watt.

P: Por que você acha que o VIA Nano é superior ao Intel Atom?

R: No Atom, a Intel adotou uma arquitetura escalar e ordenada, o que permitiu construir um chip com baixo consumo de energia. O VIA Nano tem uma arquitetura super-escalar e não ordenada, o que objetivou aumentar o desempenho. A grande diferença é que a opção da Intel comprometeu bastante o desempenho do Atom, enquanto a opção da VIA preservou as conquistas anteriores de baixo consumo. Em vários testes executados em julho e agosto, o VIA Nano teve desempenho claramente superior ao Atom, enquanto os níveis de consumo mostraram-se semelhantes.

Além disso, o VIA Nano tem compatibilidade pino-a-pino com a família C7, permitindo às OEMs oferecer produtos para diferentes nichos de mercado utilizando a mesma placa, e facilitando futuras necessidades de upgrade. O Intel Atom não é compatível com nenhuma das plataformas da Intel.

P: Tanto a Intel como a AMD estão estudando incluir processamento gráfico dentro do processador. A VIA também considera essa possibilidade?

R: A idéia de se colocar CPU e GPU num mesmo chip não é nova; nós já fizemos isso com algumas de nossas plataformas nos anos passados. Para o momento, nossa prioridade é combinar as pontes Norte e Sul em um mesmo chip, o que nósjá vimos fazendo desde 2006 com os chipsets VIA VX700, CX700M e VX800; com isso, os upgrades são muito mais fáceis do que se os GPUs estivessem no mesmo chip que a CPU.

P: Como estão as relações entre a VIA e a Intel no momento? Vocês superaram as desavenças que houve há alguns anos por causa do licenciamento do chipset para o Pentium 4?

R: A única resposta que eu posso dar é que a VIA e a Intel são concorrentes diretos num mercado muito disputado. Nós temos grande respeito pela Intel, não apenas como concorrente, mas também por suas enormes contribuições para o desenvolvimento do mercado de PCs.

P: Qual produto será a maior fonte de receitas para a VIA nos próximos anos?

R: Até hoje, o produto mais vendido da VIA foi o C7, tanto no mercado de dispositivos como no de PCs - em especial o segmento de mini-notes. Entretanto, esperamos que o VIA Nano, com alto desempenho e baixo consumo, e com várias melhorias ainda a serem anunciadas, torne-se atrativo para os fabricantes de PC. Assim, o Nano deverá ser nossa maior fonte de receitas no futuro.

Logon seguro no Windows Vista

Nesse post, foi discutida a importância da criação de contas em um notebook. No final daquele post, no item 2 das Observações, foi mencionado que o Windows XP possibilita duas opções de tela de logon: uma tela de Boas-Vindas e uma tela de usuário/senha.

Tanto em desktops como em notebooks, a opção pelo logon com usuário e senha é mais segura, pois obriga um eventual invasor a conhecer tanto o nome de um usuário como a respectiva senha (no caso da tela de boas-vindas, o invasor terá que descobrir apenas a senha). No caso de desktop, que costuma ter uma forte proteção física (ou seja, é difícil para o invasor conseguir ter acesso físico à máquina), poder-se-ia ainda optar pela comodidade da tela de boas-vindas. Mas no caso de notebooks, que têm uma chance muito maior de caírem nas mãos de estranhos, permitir logon por meio da tela de boas-vindas constitui grande vulnerabilidade de segurança.

No XP, a troca de modo de logon é muito simples (Painel de Controle > Contas de Usuário > Trocar Modo de Logon); repetindo: isso é descrito com imagens no item 2 das Observações adicionais desse post. Mas no Windows Vista, não existe maneira simples de se efetuar essa troca; esse é um grande contra-senso da Microsoft: uma das alegadas vantagens do Vista é que ele seria mais seguro do que o XP, mas justamente no procedimento de autenticação de usuário foi deixada exposta uma enorme brecha de segurança.

Para obrigar todos os usuários a acionarem Ctr+Alt+Del para trocar de usuário, e para obrigar todos os usuários a fornecerem nome e senha, recomenda-se seguir os procedimentos indicados indicados abaixo (o texto original foi publicado nos comentários nessa página).

1) Para obrigar o usuário a pressionar Ctrl+Alt+Del antes de se logar:

Clique em Iniciar (símbolo do Windows no canto inferior esquerdo). Na janela de pesquisa, digite cmd e Enter. Na janela que se abrirá, digite “control userpasswords2″ (sem aspas). O Windows solicitará que um administrador digite uma senha para prosseguir (se o Windows não solicitar, é porque o usuário atual já é um administrador). Na aba Usuários, marque a opção “Os usuários devem digitar um nome de usuário e uma senha para usar este computador”; clique OK.

A seguir, na aba Avançado, marque a opção “Exigir que os usuários pressionem Ctrl+Alt+Del”; clique OK.

A partir de agora, os usuários devem pressionar Ctrl+Alt+Del antes de se logar. Essa seqüência é especial, pois é a única que a Windows garante que levará a uma tela de logon autêntica.

2) É necessário ainda fazer com que o Windows não mostre os nomes dos usuários registrados na máquina. Para isso, execute a seguinte seqüência.

Clique em Iniciar. Na janela de pesquisa, digite Regedit. Se solicitado, forneça uma senha de administrador. A janela que se abrirá é a janela de Registro; navegue com cuidado, para não alterar nenhum registro inadvertidamente. Navegue até a pasta HKEY_LOCAL_MACHINE \Software \Microsoft \Windows \CurrentVersion \Policies \System. Na janela da direita, procure a variável dontdisplaylastusername e dê um duplo clique. Na janela que se abrirá, altere o valor de 0 para 1.

Está pronto. A partir da próxima vez que a máquina for ligada, o usuário deverá primeiramente clicar Ctrl+Alt+Del e a seguir digitar um nome de usuário e a respectiva senha.